terça-feira, 13 de março de 2012

Um Apólogo


No inicio da década de 30, em um Brasil que acabara de chegar às mãos do então presidente Getúlio Vargas, uma comissão decidia as primeiras leis em relação ao cinema. O discurso de Vargas aponta o cinema como grande ferramenta para melhorar o ensino no país, palavras que são apoiadas com fervor por intelectuais como Roquete Pinto, fundador da primeira rádio brasileira. O alinhamento nas ideias e a posição de prestígio deram ao antropólogo uma vaga na comissão encarregada de legislar a sétima arte em território nacional. É criada então a “Taxa cinematográfica para a educação popular”, decreto que tirava dos filmes de longa-metragem estrangeiros recursos para a produção de curtas nacionais de cunho educacional. Junto com a medida foi estabelecido uma metragem mínima de filmes nacionais a serem exibidos no circuito comercial, além da compra de projetores para escolas. A medida atendia assim tanto a necessidade de produção como a distribuição. Em 1936 o governo cria o INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo) chefiado por Roquete Pinto, e responsável pela manutenção do novo sistema. Em seis anos depois da criação, o INCE já relatava a produção de “duzentos curtas escolares em 16mm”.

Entre os vários diretores contratados pelo instituto, um recebe a alcunha de “a câmera didática de Vargas”: o diretor mineiro Humberto Mauro. São mais de trezentos os filmes do INCE creditados a Humberto. A câmera de Mauro retratou diversos assuntos, sempre com personalidade e enaltecendo a cultura nacional. Anos mais tarde o cineasta foi elogiado como “o mais brasileiro dos cineastas” por Glauber Rocha, que afirmava que Humberto Mauro era “o pai do cinema novo”.

Numa parceria que me surpreendeu Humberto co-dirigiu um filme com Roquete Pinto – Não imaginei que o pai da radiodifusão se aventurasse nesse meio. O curta é uma adaptação do conto “Um apólogo” do escritor Machado de Assis.

PS: Infelizmente a qualidade do vídeo não é das melhores, mas vai melhorando depois dos primeiros minutos.



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