quinta-feira, 26 de abril de 2012

Especial - Pixar


Atualmente, os estúdios Pixar são os líderes do mercado de animação. Vencedora de vários Oscars, a produtora é especializada em alta tecnologia e computação gráfica, sendo a pioneira no campo da animação tridimensional.

A companhia iniciou suas atividades sob o nome de Graphics Group como uma subdivisão da Lucas Films - estúdio cinematográfico de George Lucas. Nessa fase o estúdio tinha como objetivo exclusivo o desenvolvimento de softwares de computação gráfica e efeitos visuais. Em 1986, a Graphics Group foi comprada por Steve Jobs e foi rebatizada "Pixar", uma combinação da palavra "pixels" e da palavra "art”.

A “pré-história” da Pixar é marcada por pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos visuais, softwares e hardwares, mas basicamente nada de cinema na prática. A iluminação criativa começou quando, ainda em 86, um dos empregados da companhia resolveu criar animações como demonstração do poder visual de seus programas e computadores. O funcionário era John Lasseter e uma das “demonstrações” foi premiada e mais tarde se tornou o símbolo do estúdio.


Luxo Jr., 1986 - John Lasseter

A partir desse momento começa uma ruptura entre a Pixar “ciência” e a Pixar arte. O departamento de animação, chefiado por Lasseter, começou a produzir comerciais animados para outras empresas, gerando assim lucro e experiência criativa. Em 1990 o setor de hardware é vendido, poucos meses depois o estúdio assinou um contrato com a Disney para a produção de três animações de longa-metragem, o primeiro deles foi Toy Story.



O ano de 1995 marca então a estreia do primeiro longa-metragem de animação tridimensional. O filme é assinado por John Lasseter, mas tem em sua autoria a mão de dois outros importantes nomes do estúdio: Andrew Stanton (Procurando Nemo, Wall-E) e Pete Docter (“Monstros S.A” e “UP”). A revolução estética veio acompanhada de uma narrativa que foi além do público infantil e alcançou pessoas de todas as idades.

O segundo filme, Vida de Inseto, de 1997, iniciou a tradição de sempre exibir, antes do longa-metragem, um curta do estúdio. Esse hábito é uma das características que marcam o trabalho da Pixar até hoje. Não é comum ver um curta-metragem numa sala de cinema atualmente, a não ser em raros festivais destinados ao formato. A única produtora que exibe curtas no cinema (circuito comercial) é a Pixar, e por isso ela é importante para o Mr. Curtura.

Depois dos três primeiros longas do contrato assinado com a Disney, em 1991, a Pixar seguiu na parceria. A relação apesar de muito produtiva sempre foi permeada por desentendimentos. Em 2006, depois de algum desgaste entre as empresas, a Disney comprou a Pixar e Steve Jobs deixou o comando para se tornar um dos principais acionistas do grupo.

Famosos pela perfeição, a Pixar sustenta em sua filmografia um padrão de qualidade invejável. Não é estranho ouvir dizer que eles não têm um filme ruim em seu histórico. Se por um lado eu sonho com um mercado de animação mais diversificado, por outro sou grato que o público compre ingressos para filmes tão belos. Aqueles raros momentos em que o popular e o artístico se encontram, o eclipse apelidado de “sucesso de público e crítica”.

Para demonstrar nosso imenso respeito pelo trabalho da Pixar e, principalmente, pelo espaço que eles dão ao curta-metragem no cinema, vamos listar aqui nossos curtas favoritos do estúdio:


Geri's Game


Geri's Game foi o primeiro passo na tradição da exibição de curtas pelo estúdio. Dirigido por Jan Pinkava, O curta é o primeiro da Pixar que contém um humano como personagem principal.A história é sobre um velhinho (Geri) que joga xadrez consigo mesmo. Mudando de um lado para outro do tabuleiro, Geri muda sua personalidade, interpretando o seu adversário conforme o jogo avança. Essa mudança de papel é percebida conforme Geri tira e coloca os óculos e muda sua feição, ora mais agressivo ora mais calmo e assustado.

O curta ganhou em 1998 o Oscar de Melhor Curta Animado.Em homenagem a Geri, a Pixar retomou o personagem em Toy Story 2,em 1999. Geri aparece como um velhinho que concerta brinquedos e as peças do jogo de xadrez podem ser vistas em seu estojo de ferramenta.


For The Birds


For The Birds, curta exibido antes de Monstros S/A (2002), conta a história de um pássaro que quer ser aceito em um grupo, mas não consegue por ser diferente dos outros pássaros. Os outros, menores e semelhantes, imitam e zombam do pássaro excluído até que ele se enfia entre eles. O filme foi premiado no Anima Mundi, no Annie Awards e no Oscar.


One Man Band


Exibido em 2005 com o longa Carros, o curta-metragem One Man Band conta a acirrada disputa entre dois músicos de rua pela atenção, e a moeda, de um pobre garoto que estava prestes a jogar seu dinheiro numa fonte na esperança de que ela realizasse seus desejos.

Lifted


Lifted, exibido junto com Ratatouille em 2007, ilustra uma situação que lembra muito um teste de auto-escola, mas uma versão alienígena disso. A prova, ao invés de uma avaliação de direção automobilística é um teste de abdução. O jovem E.T tenta de diversas maneiras extrair um homem de dentro de casa, mas descobre que, também nesse caso, a teoria é mais fácil que a prática.

Presto


Presto, o curta exibido com Wall-E em 2008, mostra o mais clássico número de mágica, tirar o coelho da cartola, dando errado. Não por falta de experiência do mágico, Presto, mas por falta de vontade do coelho, que protesta para receber sua cenoura. Infelizmente para o mágico o coelho coloca seu protesto em prática durante uma apresentação e, lá com as cortinas abertas, o mágico insiste em tentar realizar o número e sofre duras consequências.

Day And Night


Day and Night, curta mais recente da Pixar lançado junto com Toy Story 3, conta como o dia conheceu a noite, mostra as brigas pelas diferenças, as disputas para ver qual é melhor e depois o fascínio pelos pontos fortes do outro e, enfim, a harmonia no por/nascer do sol.


Está feito, o post que há tanto tempo estávamos devendo. E agora, pra encerrar esse post infinito, um trecho do próximo curta da Pixar, La Luna, que será exibido junto com Brave ainda esse ano.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Undun


Pra fechar, pelo menos por enquanto, a coleção de videoclipes cinematográficos, que já conta com Time to Dance (The Shoes) e Fight For Your Right Revisited (Beastie Boys), vou postar hoje Undun. O filme, dirigido por Clifton Bell, conta a história de um garoto, seu caminho no crime e as conseqüências vividas por ele. Com o mesmo título do disco, Undun ilustra o álbum com precisão. A obra não faz do protagonista um vilão e também não o retrata como um herói, basicamente mostra um contexto social e a reação escolhida por esse garoto para "vencer" nesse cenário.

terça-feira, 24 de abril de 2012

HQ


Os quadrinhos influenciaram diretamente a cultura pop e suas vertentes. No cinema, as HQ's serviram de influência para o Cinema Marginal e principalmente para o principal diretor do movimento, Rogério Sganzerla, que incorpora elementos como colagem de imagens, narração em off e a manipulação de montagem em seus primeiros curtas.
HQ, é um curta documentário do próprio Sganzerla,em homenagem ao mundo das histórias em quadrinhos.Dirigido pelo próprio e pelo jornalista Álvaro de Moya, que é considerado por alguns o maior especialista em quadrinhos do Brasil,o curta fala sobre história das HQ's e seu processo de evolução (pelos menos até os anos 70).
HQ's como Yellow Kid, Gato Felix e Flash Gordon são citados no curta, que começa com a história das ilustrações das cavernas e vai até The Spirit, famoso HQ de Will Eisner.




Film

Partindo do princípio filosófico “ser é ser percebido”,do pensador irlandês George Berkley, o também irlandês e Nobel de literatura,Samuel Beckett realizou sua primeira e única incursão na sétima arte. Famoso por sua obra literária e dramatúrgica, o autor chegou a produzir alguns trabalhos para televisão, mas no cinema só uma obra leva seu nome, o curta-metragem Film de 1965. O principio da percepção como base para a existência é auto-explicativo, basicamente quem é percebido existe. Beckett, baseado nesse pensamento, ilustra em seu filme uma espécie de suicídio, acompanhando o protagonista que foge da percepção alheia e da própria. Apesar da época, o filme é preto e branco e mudo e, curiosamente, resgata o astro da comédia muda, Buster Keaton, para atuar como protagonista. A parte curiosa é que o ator nãorealiza nada dos movimentos cômicos que o imortalizaram nos anos 20 e seu rosto pouco é mostrado. “Por que o Keaton, afinal?” é uma das minhas eternas dúvidas.Outro célebre integrante da equipe é o fotógrafo Boris Kaufman, irmão mais novo do cineasta russo Dziga Vertov. Film foi inicialmente rejeitado pela crítica que o classificou como obscuro e sem propósito, mas rapidamente foi reavaliado e recebeu prêmios nos festivais de Veneza, Tours e Oberhausen.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Making The Shinning



A produção de um filme sempre gera curiosidade para quem assiste. Por isso, o Making Of, uma espécie de documentário sobre osbastidores do filme, é bastante comum em grandes produções da indústria cinematográfica.

Com apenas 17 anos, Vivian Kubrick (filha de Stanley Kubrick) filmou os bastidores do filme O Iluminado e produziu o curta documentário Making The Shinning, que foi exibido na BBC. Além de mostrar os sets de filmagem, o documentário acompanha de perto o aquecimento de Jack Nicholson e Shelley Duvall tendo um colapso de stress e cansaço por conta da extrema exigência que Stanley Kubrick fazia das atuações.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Duas Soluções Para um Problema


Um dos caminhos para a guerra é, sem dúvida, a vingança. Aqueles intermináveis ciclos de ataques que crescem a cada momento resultando em destruição e prejuízos. O que o diretor iraniano Abbas Kiarostami apresenta aqui é, além do caminho da destruição, o outro, a solução, a amizade.

O diretor iniciou sua carreira trabalhando com crianças e adolescentes em uma espécie de Centro Cultural em Teerã. Em seus primeiros anos de carreira, Kiarostami abordou os principais problemas iranianos e do Oriente Médio utilizando o mundo infantil como forma de ilustrar. Sempre realista e objetivo, o iraniano conta em cinco minutos um dos principais problemas do mundo.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

How Wings Are Attached To The Back of Angels

Dirigido por Craig Welch, How Wings Are Attached To The Back of Angels mistura animação com fotografia de forma surreal. O curta conta a história de um homem que tenta encontrar

como é a anatomia das asas de um anjo. O belo e o estranho se misturam nessa descoberta e o homem, obcecado por controle,acaba se perdendo no meio dos seus experimentos.
Quanto a estética,Craig Welch se destaca como animador por conta do seu traço minimalista e por criar um mundo meticulosamente surreal.Apesar de Welch ter se destacado primeiramente como pintor e desenhista, ele considera a animação como o meio perfeito para auto expressão.
How Wings Are Attached To The Back of Angels é produzido pela National Film Board of Canada e ganhou prêmios como o Prêmio Especial no Festival Internacional de Animação de Hiroshima.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

The Critic


Para alguns é quase inevitável assistir um filme sem fazer comentários durante a sessão,principalmente quando há coisas desconexas, mensagens muito abstratas ou quando chega a ser revoltante mesmo.Em The Critic,um homem comenta de forma irônica um filme ''X'' de formas geométricas, tentando entender o que se passa no filme.
Dirigido por Ernest Pintoff e narrado pelo cineasta Mel Brooks, o curta é uma sátira à arte moderna.Além disso, The Critic ganhou o Oscar de melhor curta animado de 1963 e apresenta uma crítica direta aos curtas artísticos do diretor Norman McLaren, que na maioria das vezes são animações de desenhos geométricos.
A ideia do curta surgiu quando Mel Brooks estava no cinema assistindo um filme avant-garde de Norman McLaren e ouviu um senhor rabugento na fileira de trás, resmungando para si mesmo sobre o filme.A partir disso, Brooks reconheceu as possibilidades de se criar uma comédia e contatou Ernest Pintoff para fazer o curta.