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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Plataforma


Quando criado, o cinema (e o fazer cinema) era nada mais que capturar e projetar imagens de forma rápida e sequencial,  alcançando assim a ilusão de movimento. Fotogramas em movimento, ilusão que nos entretém até hoje com sua velocidade padrão de 24 frames por segundo. Antes de surgir como forma de expressão artística, indústria ou até antes de ter pretensões narrativas, o cinematógrafo era um dispositivo que impressionava com sua mágica de exibir fotografias em movimento.



Mais de sessenta anos depois da invenção dos irmãos Lúmiere, um filme questiona a linguagem cinematográfica estabelecida e desenvolve uma narrativa complexa e sensível sem o uso do truque mais básico do cinema: a imagem em movimento. 

                                                                  Dirigido por Chris Marker em 1962, o filme ousa abrindo mão do movimento, mas, por outro lado, compensa com uma narração densa e mantém a exibição sequencial das imagens. No campo temático, o curta-metragem encara com coragem um dos temas mais complexos da ficção científica, a viagem no tempo. Linguagem e temática se aliam e tomam como base a ideia da fotografia como abrigo da memória, conceito que conduz a trama do início ao fim.  
Ambientado em um mundo devastado pela terceira guerra mundial, o curta tem como protagonista um prisioneiro que é usado como cobaia por cientistas. Os experimentos tem como objetivo enviar alguém para o passado em busca de recursos que viabilizem a continuidade da vida do presente. A Plataforma de Chris Marker é a principal influência do filme Os Doze Macacos de Terry Gilliam, um dos maiores filmes de ficção científica das últimas décadas. 

Abaixo o filme dividido em três partes:
  
                     


                     


                     

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O outro lado de Jim henson


Jim Henson é um grande exemplo de como um artista pode criar coisas distintas e ser bem sucedido nisso. Conhecido por ser o criador e manipulador dos Muppets, Henson se tornou um dos grandes nomes da televisão americana produzindo seriados de bonecos como a Vila Sesamo , Fraggle Rock e o próprio The Muppet Show. Porém, além da carreira televisiva, Henson também trabalhava como roteirista e diretor, e nos 60 passou a participar de projetos de comerciais e filmes experimentais.
 

(1963) Robot 

Em 1963, Henson dirigiu e escreveu Robot, um curta metragem encomendado por uma empresa de Comunicações para ser exibido em um seminário, cujo tema era a relação entre o homem e a máquina.


                     

(1965) Time Piece


Exibido pela primeira vez em maio de 1965, no Museu de Arte Moderna, Time Piece é escrito,dirigido, produzido e estrelado por Jim Henson. O curta , de quase 2 minutos de duração, é uma obra surrealista que explora e analisa a passagem do tempo de forma criativa e ágil. No Oscar daquele ano, Time Piece foi indicado à melhor curta.

                      

(1967) Ripples



Em Ripples,de 1967, Henson explora a consciência humana. Imagens da vida de um homem são sobrepostas em ondulações (aquela ondinha que forma quando se joga uma pedra na água) e tudo isso é embalado pela uma trilha sonora de Raymond Scott, que utiliza sons elétricos para criar um efeito de fluxo de consciência. 

                     

(1967) The Paperwork Explosion



The Paperwork Explosion é mais um ‘’filme encomenda’’ de Henson. Sendo um pedido da IBM, o curta explora o novo lançamento da empresa, o Magnetic Tape Selectric Typewriter , e enfatiza a importância de aparelho que facilitam a vida dos homens. "As máquinas devem trabalhar, as pessoas devem pensar."

                    

terça-feira, 24 de abril de 2012

Film

Partindo do princípio filosófico “ser é ser percebido”,do pensador irlandês George Berkley, o também irlandês e Nobel de literatura,Samuel Beckett realizou sua primeira e única incursão na sétima arte. Famoso por sua obra literária e dramatúrgica, o autor chegou a produzir alguns trabalhos para televisão, mas no cinema só uma obra leva seu nome, o curta-metragem Film de 1965. O principio da percepção como base para a existência é auto-explicativo, basicamente quem é percebido existe. Beckett, baseado nesse pensamento, ilustra em seu filme uma espécie de suicídio, acompanhando o protagonista que foge da percepção alheia e da própria. Apesar da época, o filme é preto e branco e mudo e, curiosamente, resgata o astro da comédia muda, Buster Keaton, para atuar como protagonista. A parte curiosa é que o ator nãorealiza nada dos movimentos cômicos que o imortalizaram nos anos 20 e seu rosto pouco é mostrado. “Por que o Keaton, afinal?” é uma das minhas eternas dúvidas.Outro célebre integrante da equipe é o fotógrafo Boris Kaufman, irmão mais novo do cineasta russo Dziga Vertov. Film foi inicialmente rejeitado pela crítica que o classificou como obscuro e sem propósito, mas rapidamente foi reavaliado e recebeu prêmios nos festivais de Veneza, Tours e Oberhausen.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

The Critic


Para alguns é quase inevitável assistir um filme sem fazer comentários durante a sessão,principalmente quando há coisas desconexas, mensagens muito abstratas ou quando chega a ser revoltante mesmo.Em The Critic,um homem comenta de forma irônica um filme ''X'' de formas geométricas, tentando entender o que se passa no filme.
Dirigido por Ernest Pintoff e narrado pelo cineasta Mel Brooks, o curta é uma sátira à arte moderna.Além disso, The Critic ganhou o Oscar de melhor curta animado de 1963 e apresenta uma crítica direta aos curtas artísticos do diretor Norman McLaren, que na maioria das vezes são animações de desenhos geométricos.
A ideia do curta surgiu quando Mel Brooks estava no cinema assistindo um filme avant-garde de Norman McLaren e ouviu um senhor rabugento na fileira de trás, resmungando para si mesmo sobre o filme.A partir disso, Brooks reconheceu as possibilidades de se criar uma comédia e contatou Ernest Pintoff para fazer o curta.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Maioria Absoluta


Na história do Brasil nem um movimento cinematográfico alcançou tanto reconhecimento, nacional e internacional, como o Cinema Novo. A principal luta do movimento era o resgate (ou a busca) por uma identidade brasileira no cinema, tanto valorizando a cultura nacional com filmes de cunho documental que retratavam artistas brasileiros como O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade quanto denunciando a pobreza, a desigualdade e o abandono que sofria a maior parte da população – como no filme Maranhão 66, de Glauber Rocha. Apesar de não ser o mais famoso de seu grupo, o cineasta Leon Hirszman realizou com maestria a missão do Cinema Novo.

Hirszman iniciou sua carreira de diretor com um dos curtas que fazem parte do filme Cinco Vezes Favela. Apesar de ser seu primeiro trabalho, o filme já demonstra um estilo próprio, construído com influência das técnicas de montagem de Sergei Eiseinstein, além de já estar imerso em todo o aspecto político-social de sua futura filmografia.

No ano seguinte o cineasta já filmava seu próximo filme, o documentário A Maioria Absoluta. O curta foi pensado inicialmente como um projeto de duas partes, A Maioria Absoluta e A Minoria Absoluta, uma forma de exibir a gritante desigualdade social do país, mas o segundo filme teve sua realização interrompida com o estouro do golpe militar em abril de 1964. Felizmente o primeiro trabalho já estava finalizado. O filme retrata a parcela sem voz na democracia, os camponeses analfabetos que suportam suas precárias condições de vida e os abusos de seus patrões sem ter quem os defenda, sem ter quem os represente.


segunda-feira, 19 de março de 2012

What’s a Nice Girl Like You Doing in a Place Like This?


What’s a Nice Girl Like You Doing in a Place Like This?
é um dos primeiros curta metragens feitos pelo renomado diretor Martin Scorsese. Produzido dez anos antes de Caminhos Perigosos, o primeiro longa de sucesso de Scorsese, o curta foi feito no período que o diretor estudava na Tisch School of the Arts da Universidade de Nova Iorque.
Descrito por Scorsese como "um conto de paranóia pura", o curta de 1963 se destaca pelos diálogos cômicos e inteligentes, além da edição,fotografia , estilo visual e outros elementos que demonstram traços da genialidade prematura do diretor.
A história é sobre o escritor Harry,um homem obcecado por uma foto que está em sua parede.O personagem luta contra essa obsessão, se casa, consulta um analista e consegue amenizar o sentimento desenfreado. Porém, uma nova obsessão aparece e faz com que ele se perca dentro de sua loucura.

ps: A imagem acima é do making off do curta.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Contra's City



Com o claro intuito de escancarar os contrastes de sua cidade, o diretor senegalês Dijibril Diop Mambéty retrata Dakar do ponto de vista de uma turista francesa e de um guia local. Porém, os dois personagens não aparecem, eles têm sua presença marcada numa narração na maioria das vezes de forma sarcástica. O filme exibe no começo os belos prédios deixados pelos colonizadores franceses e sua cultura que se mantém impregnada na parte rica da cidade. Em um segundo momento a câmera cruza a ponte e passa para o lado pobre, o Senegal real, com seu comércio informal, suas ruas de terra, casas precárias. É notável que o centro, além de belo e rico, é vazio, a maior parte da população está na parte pobre.

Realizado no espírito “faça você mesmo” dos anos 60, Contra’s City foi filmado com base em doações: uma câmera emprestada, uma equipe de amigos que não receberam nada pelo filme e finalizado com equipamento do Centro Cultural Francês. A obra alcançou muito respeito pelos artistas da geração, pelo seu cunho crítico, pela improvisação e pelo sarcasmo.


Infelizmente a incorporação do vídeo foi desativada e só é possível assistir no Youtube.
Os links são esses: 1° parte - http://youtu.be/c1sY-ph9q-Q

segunda-feira, 12 de março de 2012

The House is Black



Religiões abraâmicas,islâmicas,judaicas e cristãs,com base em livros da bíblia como Levitíco, que faz parte do Pentateuco(conjunto dos cinco primeiros livros da bíblia escritos por Moisés onde constam as leis da igreja), relacionam a lepra diretamente ao pecado. Essa relação permaneceu praticamente imutável através dos séculos e gerou uma forte exclusão dos leprosos, e até um preconceito de que eles sejam rejeitados por Deus, o que aumentava a repulsa que a doença já causa pela aparência.

havia aqueles que julgavam improcedente (e até mesmo leviano) tentar curar os acometidos pela lepra, considerando-a como punição divina pelo pecado e, portanto, fora do alcance de tratamentos médicos. Aos olhos desses, todos os doentes eram considerados corrompidos pela “lepra do pecado” e, a menos que houvesse um ato soberano de Deus, não havia possibilidade de cura. Muitos escritores e pregadores cristãos, a partir de Orígenes, julgavam a lepra “um tipo do pecado”, um modelo ou símbolo do pecado, e essa idéia transpareceu em muitos sermões. Até pouco tempo atrás, o fato de alguns tipos de lepra evoluírem implacavelmente e nenhum tratamento parecer eficaz na cura das úlceras nas mãos e nos pés certamente deu credibilidade à crença disseminada, cristalizada em ditos e provérbios em todo o mundo, de que a doença ainda era incurável” – Stanley Browne no livro Lepra na bíblia, estigma e realidade.

O isolamento e o abandono sofrido pelos leprosos são retratados no documentário The House Is Black, da poetisa iraniana Forough Farrokhzad. Lançado na década de 60 o documentário revela o interior de uma vila de leprosos. No decorrer das imagens uma voz narra em off alguns versos da diretora. As cenas demonstram o cotidiano, os sentimentos e, principalmente, a fé dessas pessoas condenadas por Deus ou pela má interpretação de suas palavras.

sexta-feira, 9 de março de 2012

79 primaveras


"Sem o inverno glacial, sem o duelo e a morte;
Primavera, quem poderia apreciar sua glória?
A tristeza em meu espírito, é como puro aço que forja meu coração.
Nada é mais precioso que a liberdade e a independência."

O curta 79 primaveras, do diretor cubano Santiago Álvarez, conta a história do líder vietnamita Ho Chin Minh. Em formato de curta-documentário, 79 primaveras capta o horror da guerra e a luta do povo vietnamita de forma poética.
Para Santiago Álvarez,a realidade no cinema não se capta, mas sim se constrói.Assumidamente marxista-leninista, o diretor produziu vários documentários sobre a história de Cuba e dos Estados Unidos,sempre de forma crítica e artística.Juntamente com outros companheiros, Álvarez construiu o alicerce da política cultural da Revolução de 1959.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Alfabeto


O Alfabeto, o primeiro curta-metragem do diretor David Lynch, não foge às peculiaridades estilísticas do diretor.Carregado de uma atmosfera medonha e surreal,o curta apresenta um pesadelo de uma mulher que fica repetindo constantemente as letras do alfabeto.
A ideia inicial do curta foi dada por Peggy Lynch, esposa do diretor. Aparentemente, sua sobrinha teve um sonho no qual ela estava recitando o alfabeto e quando acordou,não conseguia parar de repeti-lo. Lynch acatou a idéia e começou a pensar na produção do curta-metragem. Primeiro ele pintou de preto todas as paredes de seu quarto. Depois, pintou de branco a cara de Peggy , lhe dando um contraste real com a cor das paredes. E a partir disso,começou a filmar a movimentação da mulher ao redor do ambiente.
O Alfabeto é um curta de 1968, de aproximadamente 4 minutos.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Maranhão 66


Dois anos depois do golpe de 64 duas célebres figuras públicas do cenário nacional se encontram num comício político. De um lado o recém-eleito governador, José Sarney; Do outro um dos mais famosos e polêmicos cineastas brasileiros, Glauber Rocha. José Sarney, prestes a iniciar o reinado de sua família nas terras do Maranhão, resolve contratar o diretor, que no momento desfrutava de destaque internacional conquistado com o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, para produzir um filme sobre sua posse como governador.

Enquanto o governador enumera com grande eloquência os problemas do estado e ilude a todos com suas promessas, o filme exibe com grande força as imagens do Maranhão doente, pobre e abandonado.

O filme é o que qualquer um esperaria de Glauber: um retrato sobre a situação do Maranhão.Os problemas são representados de forma tão crua e simples que chega a ser agressivo. Mas, o mais absurdo é pensar que José Sarney esperava algo mais ameno.

A experiência do cineasta durante as filmagens serviu como uma das inspirações para a realização de “Terra Em Transe”, uma de suas maiores obras.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Antonie et Collete



Antonie et Collete
, de 1962, é um curta-metragem do renomado diretor francês François Truffaut. Com aproximadamente 32 minutos, o curta é o segundo filme da série de Truffaut sobre Antonie Doinel,personagem que aparece em seu longa-metragem Os Incompreendidos.Além disso, Antonie et Collete pertence à coleção O Amor Aos Vinte Anos, uma obra conjunta de diretores promissores como Shintaro Ishihara,Marcel Ophüls,Renzo Rossellini e Andrzej Wajda.
Quanto a temática, o curta mostra Antonie (Jean-Pierre Léaud) já na fase adulta,morando sozinho e trabalhando em uma gravadora.Sua paixão pela música à jovem Colette (Marie-France Pisier), por quem de imediato se vê apaixonado.