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segunda-feira, 21 de maio de 2012


Jó, curta-metragem de 1993, dirigido por Beto Brant, coloca em cena dois elementos que sempre me interessaram muito: linguagem e história. Respectivamente efeito Kuleshov e a história de Jó – como sugere o título. O efeito Kuleshov foi um experimento conduzido pelo teórico Lev Kuleshov na primeira década do século XX. O experimento consiste na intercalação de um plano fechado que mostra um homem com uma expressão fixa e outros três planos curtos: um prato de comida, um bebê e uma mulher.


Da combinação de cada plano com o plano que mostra o homem nasce um significado diferente, como, fome, comoção ou desejo. Esse experimento é uma das bases das teorias cinematográficas soviéticas de Sergei Eisenstein e Pudovkin, que afirmavam a montagem como base da significação fílmica. O curta de Beto Brant apesar de não ser idêntico, me lembra muito o experimento soviético.

O outro ponto interessante é a história de Jó, de origem bíblica, e o desfecho criado pelo diretor. A história de Jó, que muitos afirmam ter inspirado Goethe a escrever “Fausto”, fala sobre um episódio em que o Diabo pede permissão a Deus para tentar corromper um homem, através das perdas, o demônio argumenta que a fidelidade de Jó à Deus está totalmente relacionada aos benefícios que o homem recebe na relação. Depois de arruinado Jó permanece fiel a seu criador. Nesse “jogo” o fiel perde tudo o que tinha: a vida de seus filhos, sua casa e suas riquezas.

O curta é bastante criativo e experimental, características que marcam essa fase do diretor, antes dos longas e da parceria com o escritor Marçal Aquino.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Especial - Pixar


Atualmente, os estúdios Pixar são os líderes do mercado de animação. Vencedora de vários Oscars, a produtora é especializada em alta tecnologia e computação gráfica, sendo a pioneira no campo da animação tridimensional.

A companhia iniciou suas atividades sob o nome de Graphics Group como uma subdivisão da Lucas Films - estúdio cinematográfico de George Lucas. Nessa fase o estúdio tinha como objetivo exclusivo o desenvolvimento de softwares de computação gráfica e efeitos visuais. Em 1986, a Graphics Group foi comprada por Steve Jobs e foi rebatizada "Pixar", uma combinação da palavra "pixels" e da palavra "art”.

A “pré-história” da Pixar é marcada por pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos visuais, softwares e hardwares, mas basicamente nada de cinema na prática. A iluminação criativa começou quando, ainda em 86, um dos empregados da companhia resolveu criar animações como demonstração do poder visual de seus programas e computadores. O funcionário era John Lasseter e uma das “demonstrações” foi premiada e mais tarde se tornou o símbolo do estúdio.


Luxo Jr., 1986 - John Lasseter

A partir desse momento começa uma ruptura entre a Pixar “ciência” e a Pixar arte. O departamento de animação, chefiado por Lasseter, começou a produzir comerciais animados para outras empresas, gerando assim lucro e experiência criativa. Em 1990 o setor de hardware é vendido, poucos meses depois o estúdio assinou um contrato com a Disney para a produção de três animações de longa-metragem, o primeiro deles foi Toy Story.



O ano de 1995 marca então a estreia do primeiro longa-metragem de animação tridimensional. O filme é assinado por John Lasseter, mas tem em sua autoria a mão de dois outros importantes nomes do estúdio: Andrew Stanton (Procurando Nemo, Wall-E) e Pete Docter (“Monstros S.A” e “UP”). A revolução estética veio acompanhada de uma narrativa que foi além do público infantil e alcançou pessoas de todas as idades.

O segundo filme, Vida de Inseto, de 1997, iniciou a tradição de sempre exibir, antes do longa-metragem, um curta do estúdio. Esse hábito é uma das características que marcam o trabalho da Pixar até hoje. Não é comum ver um curta-metragem numa sala de cinema atualmente, a não ser em raros festivais destinados ao formato. A única produtora que exibe curtas no cinema (circuito comercial) é a Pixar, e por isso ela é importante para o Mr. Curtura.

Depois dos três primeiros longas do contrato assinado com a Disney, em 1991, a Pixar seguiu na parceria. A relação apesar de muito produtiva sempre foi permeada por desentendimentos. Em 2006, depois de algum desgaste entre as empresas, a Disney comprou a Pixar e Steve Jobs deixou o comando para se tornar um dos principais acionistas do grupo.

Famosos pela perfeição, a Pixar sustenta em sua filmografia um padrão de qualidade invejável. Não é estranho ouvir dizer que eles não têm um filme ruim em seu histórico. Se por um lado eu sonho com um mercado de animação mais diversificado, por outro sou grato que o público compre ingressos para filmes tão belos. Aqueles raros momentos em que o popular e o artístico se encontram, o eclipse apelidado de “sucesso de público e crítica”.

Para demonstrar nosso imenso respeito pelo trabalho da Pixar e, principalmente, pelo espaço que eles dão ao curta-metragem no cinema, vamos listar aqui nossos curtas favoritos do estúdio:


Geri's Game


Geri's Game foi o primeiro passo na tradição da exibição de curtas pelo estúdio. Dirigido por Jan Pinkava, O curta é o primeiro da Pixar que contém um humano como personagem principal.A história é sobre um velhinho (Geri) que joga xadrez consigo mesmo. Mudando de um lado para outro do tabuleiro, Geri muda sua personalidade, interpretando o seu adversário conforme o jogo avança. Essa mudança de papel é percebida conforme Geri tira e coloca os óculos e muda sua feição, ora mais agressivo ora mais calmo e assustado.

O curta ganhou em 1998 o Oscar de Melhor Curta Animado.Em homenagem a Geri, a Pixar retomou o personagem em Toy Story 2,em 1999. Geri aparece como um velhinho que concerta brinquedos e as peças do jogo de xadrez podem ser vistas em seu estojo de ferramenta.


For The Birds


For The Birds, curta exibido antes de Monstros S/A (2002), conta a história de um pássaro que quer ser aceito em um grupo, mas não consegue por ser diferente dos outros pássaros. Os outros, menores e semelhantes, imitam e zombam do pássaro excluído até que ele se enfia entre eles. O filme foi premiado no Anima Mundi, no Annie Awards e no Oscar.


One Man Band


Exibido em 2005 com o longa Carros, o curta-metragem One Man Band conta a acirrada disputa entre dois músicos de rua pela atenção, e a moeda, de um pobre garoto que estava prestes a jogar seu dinheiro numa fonte na esperança de que ela realizasse seus desejos.

Lifted


Lifted, exibido junto com Ratatouille em 2007, ilustra uma situação que lembra muito um teste de auto-escola, mas uma versão alienígena disso. A prova, ao invés de uma avaliação de direção automobilística é um teste de abdução. O jovem E.T tenta de diversas maneiras extrair um homem de dentro de casa, mas descobre que, também nesse caso, a teoria é mais fácil que a prática.

Presto


Presto, o curta exibido com Wall-E em 2008, mostra o mais clássico número de mágica, tirar o coelho da cartola, dando errado. Não por falta de experiência do mágico, Presto, mas por falta de vontade do coelho, que protesta para receber sua cenoura. Infelizmente para o mágico o coelho coloca seu protesto em prática durante uma apresentação e, lá com as cortinas abertas, o mágico insiste em tentar realizar o número e sofre duras consequências.

Day And Night


Day and Night, curta mais recente da Pixar lançado junto com Toy Story 3, conta como o dia conheceu a noite, mostra as brigas pelas diferenças, as disputas para ver qual é melhor e depois o fascínio pelos pontos fortes do outro e, enfim, a harmonia no por/nascer do sol.


Está feito, o post que há tanto tempo estávamos devendo. E agora, pra encerrar esse post infinito, um trecho do próximo curta da Pixar, La Luna, que será exibido junto com Brave ainda esse ano.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

How Wings Are Attached To The Back of Angels

Dirigido por Craig Welch, How Wings Are Attached To The Back of Angels mistura animação com fotografia de forma surreal. O curta conta a história de um homem que tenta encontrar

como é a anatomia das asas de um anjo. O belo e o estranho se misturam nessa descoberta e o homem, obcecado por controle,acaba se perdendo no meio dos seus experimentos.
Quanto a estética,Craig Welch se destaca como animador por conta do seu traço minimalista e por criar um mundo meticulosamente surreal.Apesar de Welch ter se destacado primeiramente como pintor e desenhista, ele considera a animação como o meio perfeito para auto expressão.
How Wings Are Attached To The Back of Angels é produzido pela National Film Board of Canada e ganhou prêmios como o Prêmio Especial no Festival Internacional de Animação de Hiroshima.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Velha e os Pombos


Um dos grandes benefícios da falta de mercado para os filmes de curta-metragem é a liberdade criativa e isso é observado com facilidade no campo das animações. Ao longo da história a animação esteve/ está praticamente presa a um público fixo, o infantil, e isso já limita os temas abordados. Outra característica do cinema comercial de animação é o domínio constante da produção por um ou poucos estúdios, como Walt Disney e, mais recentemente, Pixar e DreamWorks. São poucos os autores que conseguem invadir o circuito comercial, mas existem diretores que vem conseguindo espaço no mercado, como o francês Sylvain Chomet.

Chomet apesar de não abordar temáticas muito pesadas em seus longas, tem características próprias e marcantes. Seus filmes, sempre com poucos diálogos – Semi-mudos - levam na medida certa o humor e o drama. Uma de suas grandes influências é o ator cômico Jaques Tati, que fazia comédia muda ao estilo Chaplin. Essa influência se transformou em homenagem no longa O Ilusionista onde o protagonista era uma versão animada do comediante. O diretor alcançou reconhecimento quando, em 2003, concorreu ao Oscar de melhor animação com “As Bicicletas de Belleville”, longa produzido depois de “A Velha e os Pombos”.





terça-feira, 27 de março de 2012

Sonho de Um Homem Ridículo


Sonho de Um Homem Ridículo
é um curta metragem de 1992 baseado no conto homônimo de Fiódor Dostoiévski.Produzido pelo pintor e diretor Aleksandr Petrov , o curta possuiu o toque plástico do diretor russo e ganhou prêmios no Festival Internacional de Animação de
Ottawa.
O curta narra a história de um homem que se vê em um estado ridículo e não encontra mais sentido em viver.Em um dia qualquer, em que mais uma vez o personagem esperava ter encontrado o momento de ideal para se matar,ele é abordado por uma menina que pede por ajuda. Amargurado com sua existência, o homem não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar um fim em sua vida e adormece,caindo em um sonho que revelará as verdades mundanas projetadas através de uma sociedade ideal,livre da luxúria e do egoísmo humano.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Balada dos Esqueletos



Balada dos Esqueletos é um curta metragem de 1997,dirigido por Gus Van Sant. Nele, Allen Ginsberg, poeta da geração Beat,declama o seu poema The Balad of Skeletons, em meio a imagens iconicas da história dos Estados Unidos.
Com alto teor político, o poema de Ginsberg se torna atemporal. Em sua forma audiovisual, de aproximadamente quatro minutos,a trilha sonora é assinada pelo eterno beatle Paul Mccartney, que é um grande fã da geração Beat.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Velho e o Mar




Extasia absoluta, foi o que eu senti quando encontrei um filme do russo, Aleksandr Petrov, pela primeira vez. É o tipo de coisa original e impressionante que desperta aquela vontade de compartilhar com o mundo todo.

O Velho E O Mar, filme que recebeu o prêmio de melhor curta-metragem de animação no Oscar de 2000, é uma adaptação da obra de Ernest Hemingway e levou dois anos para ser produzido. Durante o período, o artista pintou e fotografou cerca de 22 mil quadros e tudo isso viria a se transformar em um filme de 20 minutos.

Petrov tem em seu trabalho a perfeita soma de habilidade, narrativa, sensibilidade e dedicação.Sua técnica consiste em um stopmotion baseado em pinturas. O cineasta cria basicamente um quadro para cada frame do filme, pintando sobre vidro e usando os dedos.







sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Doodlebug




É interessante observar um diretor que atualmente trabalha com milhões de dólares em produções Hollywoodianas tendo que lidar com poucos recursos. Esse curta exibe isso. Cristopher Nolan no grande quadro do estudante de cinema: Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.

Em seus três minutos, Doodlebug, mostra um homem perseguindo um inseto em um quarto. Com cenas paranoicas e insanas, o curta explora as barreiras da percepção da realidade. Acho bem difícil escrever sobre filmes experimentais/ surreais, geralmente tem uma premissa bem básica e permitem diferentes interpretações -esse é o caso desse filme.