sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

The Archive



Um colecionador é, acima de tudo, alguém que ama aquilo que guarda, alguém que enxerga naquele objeto um grande valor e sente a necessidade de ter aquilo, e se possível apresentar para outras pessoas. A descrição acima talvez funcione melhor para colecionadores de artigos culturais como livros, filmes, fotografias e música, como é o caso de The Archive. 

Essa necessidade em alguns casos é tão forte que chega a parecer (ser) um vício, algo que te impede de dormir. Depois de aceita a responsabilidade de colecionar, é impossível para alguns desses colecionadores se ver livre do fardo de ser o guardião da boa cultura (termo que varia na opinião de cada um).

E todos esses sentimentos foram sutilmente captados por Sean Dunne em seu documentário, The Archive. O filme conta a história de Paul Mawhinney, colecionador que ostenta a maior coleção de discos do mundo, e que agora, velho e doente, antecipa com tristeza o fim de seu acervo: o esquecimento.


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

The Paleface


Na década de 20, auge do cinema mudo, o gênero cômico se destacava por sua popularidade e seus grandes representantes. No entanto, poucos desses nomes sustentaram sua popularidade até os dias atuais, foram, em sua maioria, eclipsados por Charles Chaplin e seu cinema cômico-dramático-social. Entre os palhaços do cinema mudo, alguém que pôde rivalizar com Chaplin em qualidade foi Buster Keaton. Com sua expressão impassível, Keaton conduzia gags físicas de alto risco, praticamente sem auxílio de efeitos, o que gerava espanto e diferenciava seu cinema. Raramente sofria lesões durante as filmagens, o que lhe rendeu apelidos como "The Little Boy Who Can't Be Damaged" ( O garoto que não pode ser ferido). Apesar de talentoso e popular, Keaton não se adaptou tão bem ao cinema falado, e depois de assinar um contrato com a MGM em 1928, se viu podado pelo estúdio que o impedia de realizar suas acrobacias e atava sua liberdade criativa. Sua carreira no cinema declinou lentamente, mas sua atuação nunca cessou completamente.  Keaton apresentou um programa de televisão nos anos 50 e realizou aparições em filmes como Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder) e Luzes da Ribalta (Charles Chaplin), ambos filmes que retratavam o saudosismo do cinema mudo.

                   
Luzes da Ribalta, Charlie Chaplin, 1952
Em The Paleface, Buster Keaton encontra uma aldeia indígena enquanto caçava borboletas, os índios - que haviam sido ameaçados de despejo e tiveram um de seus mensageiros raptados por barões do petróleo que almejavam suas terras, o que motivou uma postura hostil contra o homem branco - perseguem o invasor cara-pálida para se vingar. Depois de provar seu valor sobrevivendo à uma fogueira, Keaton se alia aos índios para proteger a aldeia.


                   

sábado, 12 de janeiro de 2013

Phono 73

No ano de 1973, a extinta gravadora Phonogram organizou em São Paulo um festival com a presença de todo seu elenco de artistas. Com duração de três dias, subiram ao palco do festival nomes como Toquinho, Vinícius, Sérgio Sampaio, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Raul Seixas, Elis Regina, entre outros. No ano da realização do festival, o Brasil vivia o período mais rígido e repressivo da ditadura militar, os chamados Anos de Chumbo, e aqui  vem a parte mais curiosa da história: A Phonogram realizou o evento com a intenção de tirar do Regime Militar a impressão de que era um ninho de artistas subversivos e combativos. O resultado, que não foi bem o esperado pela gravadora, foi registrado no vídeo abaixo. Sem diálogos, sem enredo, nada além de música e história.

                

sábado, 17 de novembro de 2012

La Luna


 La Luna
, o mais recente curta metragem da Pixar, finalmente vazou na internet! Dirigido 
pelo italiano Enrico Casarosa,o curta foi exibido nos cinemas antes do filme Valente(Brave) e concorreu ao Oscar de melhor curta de animação deste ano.


O curta,rodeado por uma atmosfera fantástica e mágica, mostra um garotinho que acompanha pela primeira vez o seu pai e o avô no caminho do trabalho, dentro do bote de madeira La Luna. Ao invés de se deparar com um trabalho convencional, o menino se surpreende e acaba descobrindo um ofício singular e brilhante.

Para contar a história de La Luna, Casarosa usou referências pessoais (como a relação entre seu pai e seu avô) e culturais (como o conto A Distância da Lua, de Ítalo Calvino).Metaforicamente,La Luna mostra o rito de passagem do garotinho, que deve decidir entre seguir os hábitos e a tradição de sua família ou fazer as coisas do seu próprio jeito.



                                 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Terra Sem Pão


Lembrado principalmente por sua co-autoria em Um Cão Andaluz, Luis Bunuel é tido na história como o símbolo do surrealismo na sétima arte. Em 1933, o diretor espanhol se aventura pelo documentário, gênero inédito para ele até então, e registra a vida de uma região isolada e esquecida do país, Las Hurdes. As imagens e a narração guiam o espectador ao longo da terra sem pão do título. Pessoas miseráveis vivendo em condições sub-humanas são expostas em imagens impressionantes. Apesar de não inovar no formato, Bunuel imprime seu estilo com a câmera, em cenas de impacto como a da morte do burro, e principalmente com a temática social. O relato das condições vividas no vilarejo não foi bem recebido pelo governo espanhol, que na época viva um período de alta instabilidade, e o cineasta foi exilado do país. Terra Sem Pão é um primeiro passo na direção de filmes mais realistas como Os Esquecidos, que vão redefinir a carreira do diretor espanhol. O "Cinema da crueldade", como André Bazin define, realizado por Bunuel é um dos retratos mais ásperos da miséria humana.


                 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

North Atlantic



Nos últimos dias fiquei curioso sobre o cinema português. Ouvi alguém elogiando a Cinemateca Portuguesa e sua maravilhosa programação, a partir disso comecei a pensar: "Por que o cinema português não é consumido (em escala significativa) por aqui?".Talvez eu esteja desinformado, mas vejo muito mais filmes franceses, espanhóis, argentinos e até asiáticos em cartaz no circuito alternativo por aqui. O idioma comum,  nossa maior ligação com Portugal, deveria facilitar esse acesso, mas não é muito fácil acompanhar a velocidade dos portugueses. Assistindo alguns curtas eu fiquei totalmente perdido sem legenda. Talvez falta de hábito, talvez não. Mas de qualquer jeito, acredito que seja uma fonte pouco explorada do cinema europeu.

O filme de hoje não é um clássico do cinema português, mas me impressionou muito (e no fim, é isso que conta). Premiado em Milão e Varsóvia, North Atlantic, usa o formato do curta-metragem da maneira mais correta possível. Com uma situação chave, baseada em um fato real, Bernardo Nascimento conta uma história comovente sem esticar demais a situação.

                    
Espero que esse seja o primeiro de muitos filmes portugueses no blog.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Winsor McCay


Motivado por esse doodle (aquelas variações interativas no logo do Google que geralmente indicam alguma comemoração) fui conhecer o trabalho de Winsor McCay e já sou muito grato ao Google por isso. O artista faz parte da história, principalmente, por duas contribuições: Little Nemo in The Slumberland, tira publicada semanalmente no jornal New York Herald entre 1905 e 1911; E Gertie, The Dinosaur, animação criada em 1914.


Em suas tirinhas, o cartunista Winsor McCay, contava as histórias de Nemo, um garoto que vagava por seu imaginário, sempre conduzido por algum personagem desse estranho universo. Nos primeiros anos, Nemo era sempre convidado pelos personagens, que se apresentavam como servos do rei Morpheu, para conhecer seu reino de sonhos e sua filha, a princesa Camille. Ao longo do trajeto alguma coisa sempre dava errado e,  tomado pelo medo, Nemo acordava em sua cama e era repreendido ou consolado por seus pais que haviam acordado com os gritos do menino. Nos anos posteriores, a partir de 1906, Nemo alcança as portas de Slumberland, e novos personagens são introduzidos aos leitores.


Apesar de repetir semanalmente a mesma fórmula - Nemo dormindo, viagem, problema, Nemo acorda assustado – o autor conseguiu continuar criativo dentro desses limites. As aventuras sempre introduziam novos cenários e personagens, cenas fantásticas lindamente produzidas pelas mãos do artista.


                 

Em suas experimentações na área do cinema, Winsor McCay, teve lugar de destaque entre os pioneiros da animação. Seu primeiro filme, Little Nemo, de 1911, apresenta o processo de criação de um desenho animado de forma didática, mas ainda sim conduzida por uma narrativa, apesar de simples. Em uma reunião com amigos, o cartunista aposta que pode dar movimento aos seus personagens, sendo alvo de piadas no mesmo momento. Um mês depois, com quatro mil telas desenhadas, McCay apresenta os personagens de Little Nemo em movimento, e até coloridos. O mesmo esquema se repete em Gertie, The Dinosaur, quando reunido com seus amigos cartunistas em um museu, o artista se dispõe a exibir um dinossauro se movimentando. Ao fim de seis meses de trabalho, McCay apresenta Gertie, seu dinossauro domado que obedece a seus comandos.

                            



PS: As tiras de Winsor McCay, de 1905 e 1911 estão disponíveis no link: Little Nemo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cartas para Mãe

Cartas para Mãe é um curta que mostra os pensamentos escritos pelo cartunista Henfil em cartas para sua mãe, Dona Maria.Permeadas de indignação política, as cartas foram publicas em jornais e livros, e relatam cronicamente o Brasil de trinta anos atrás e a trajetória de Henfil até a sua morte.
Para dar vida a essas cartas, o curta documentário,dirigido por Fernando Kinas e Marina Willer, trás entre seus depoimentos figuras célebres como cartunistas Angeli e Laerte, o ex presidente Lula, o escritor Luis Fernando Veríssimo e do jornalista Zuenir Ventura.
A narração das cartas é feita pelo ator e diretor Antônio Abujamra e tem como pano de fundo imagens do Brasil contemporâneo, o que faz com que a escrita de Henfil dialogue com o presente.
Henfil, além de cartunista, também foi um grande ativista político no período da ditadura militar.Seus desenhos se tornaram famosos por esse ‘’quê’’ político e crítico e serviram,também, para simbolizar a luta pela democratização política do país.Mais tarde,em 1980, Henfil ajuda a fundar o Partido do Trabalhadores (PT) e consolida seus interesses sindicais.