quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Velha e os Pombos


Um dos grandes benefícios da falta de mercado para os filmes de curta-metragem é a liberdade criativa e isso é observado com facilidade no campo das animações. Ao longo da história a animação esteve/ está praticamente presa a um público fixo, o infantil, e isso já limita os temas abordados. Outra característica do cinema comercial de animação é o domínio constante da produção por um ou poucos estúdios, como Walt Disney e, mais recentemente, Pixar e DreamWorks. São poucos os autores que conseguem invadir o circuito comercial, mas existem diretores que vem conseguindo espaço no mercado, como o francês Sylvain Chomet.

Chomet apesar de não abordar temáticas muito pesadas em seus longas, tem características próprias e marcantes. Seus filmes, sempre com poucos diálogos – Semi-mudos - levam na medida certa o humor e o drama. Uma de suas grandes influências é o ator cômico Jaques Tati, que fazia comédia muda ao estilo Chaplin. Essa influência se transformou em homenagem no longa O Ilusionista onde o protagonista era uma versão animada do comediante. O diretor alcançou reconhecimento quando, em 2003, concorreu ao Oscar de melhor animação com “As Bicicletas de Belleville”, longa produzido depois de “A Velha e os Pombos”.





terça-feira, 17 de abril de 2012

Harvey


Uma das maiores buscas do ser humano em sua existência é alguém que o complete emocionalmente, que seja a sua "metade".Um exemplo dessa busca é o Mito do Andrógeno, descrito por Platão, que relata a existência de um ser meio homem e meio mulher, que era superior entre os mortais. Porém, os andrógenos acharam que eram tão superiores que poderiam subir ao Olimpo,provocando a ira de Zeus. Como castigo pela pretensão, Zeus separou o andrógeno em duas metades, causando um enorme sofrimento e dando origem ao "mito das almas gêmeas".
O curta Harvey, dirigido por Peter McDonald, concretiza essa crença de uma outra ''metade''. O filme,produzido em 2001, possui uma atmosfera meio macabra e de ficção científica e conta a história de um homem, Harvey, que é obcecado pela busca de alguém que (literalmente) o complete. A partir disso, Harvey começa a desejar a vizinha da frente, observando-a cotidianamente pelo buraco da porta e enxergando nela a possibilidade de se sentir completo mais um vez.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Blinky

Uma das temáticas mais recorrentes da ficção científica, e uma das minhas favoritas, é a questão da tecnologia e sua relação com o ser humano. Sendo mais específico: Robôs. O assunto é explorado desde os anos 30 pelo autor Isaac Asimov, creditado como o inventor do termo, e geralmente é usado para debater questões éticas, sentimentais e políticas do homem e de sua sociedade.

Blinky™, curta-metragem dirigido pelo irlandês Ruairi Robinson, fala sobre problemas familiares nesse contexto de ficção cientifica. O filme tem como protagonista um garoto que sofre com as discussões de seus pais. Como meio de amenizar a solidão do garoto, e talvez resolver o vácuo deixado pelo distanciamento entre o garoto e seus pais, esses lhe presenteiam com um robô doméstico. O robô é vendido como o companheiro ideal para crianças, além de executar trabalhos de limpeza e qualquer outra exigência que lhe for imposta por seus donos. O plano dos pais funciona e o garoto se diverte com o novo “brinquedo”, mas com o tempo percebe que as discussões ainda acontecem na casa e se perde procurando uma solução.

Satanás se diverte

Satanás se diverte é um filme do pioneiro diretor Segundo de Chomón.Conhecido como um dos clássicos dos primeiros anos do cinema, o filme traz a icônica imagem do diabo brincando com garrafas.
A história é sobre Satanás e seu tédio. Aparentemente,no inferno, Satanás ,descrito como um esqueleto com chifres,tenta eliminar seu tédio usando seus servos e se divertindo como uma série de truques de ilusionismo.
Produzido em 1907, o filme utiliza efeitos especiais rudimentares dos primeiros anos,como desaparecimento de objeto e levitação de pessoas.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Logorama


Logorama, curta de 2009, parte de uma idéia criativa e inovadora de protesto: usar as marcas contra elas mesmas. A animação ambienta uma história de ação e catástrofe, geralmente vista no cinema americano, em uma Los Angeles composta por logotipos e mascotes das mais diversas corporações. Prédios, árvores, animais, carros e etc. Tudo é baseado em marcas e produtos. A ação tem início quando dois policiais, mascotes da Michelin, avistam um assaltante foragido, Ronald McDonald. Dali pra frente é perseguição, tiros e mais adiante um final de grandes proporções, tanto na narrativa como simbolicamente. Durante as cenas de ação é possível perceber significações simbólicas para os logos, além de ícones culturais de protesto como o artista de rua Obey Giant e as bandas The Clash, Sex Pistols e Pink Floyd. Premiado em Cannes e no Oscar, Logorama parte de uma idéia genial e a executa com extrema competência.

Uma História Severina


" O ato de obrigar a mulher a manter a gestação [de feto anencéfalo], colocando-a em espécie de cárcere privado em seu próprio corpo, desprovida do mínimo essencial de autodeterminação, assemelha-se, sim, à tortura e a um sacrifício que não pode ser pedido a qualquer pessoa ou dela exigido '' (Marco Aurélio Mello)

Na última quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o direito de gestantes interromperem a gravidez nos casos de fetos anencéfalos (ausência de cérebro) sem a necessidade de autorização judicial.O julgamento da ação chegou ao tribunal em 2004, quando a liminar que permitia o aborto de anencéfalos foi concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello e derrubada pelo STF três meses depois.A sessão foi suspensa com com 5 votos favoráveis ao aborto nesses casos e 1 contra, e será retomada hoje a tarde.
O curta documentário Uma História Severina , dirigido pela jornalista Eliane Brum e pela antropóloga Debora Diniz, retrata a busca de Severina por solução judicial para que ela pudesse fazer um aborto.Grávida de um bebê anencéfalo, Severina estava prestes a interromper legalmente a sua gravidez quando,no mesmo dia, os ministros do Supremo Tribunal Federal derrubaram a liminar concedida em 2004.
Severina foi condenada a continuar gerando um filho para a morte até o sétimo mês, quando finalmente conseguiu a autorização.Naquele momento, Severina não faria mais um aborto e sim um parto. Seu filho nasceu morto,como a maioria dos casos de gestação de anencéfalos.O berço foi trocado pelo caixão, e a certidão de nascimento pela certidão de óbito.
O documentário ilustra claramente o processo desgastante de angústia e de dor de uma mãe que gera um bebê anencéfalo. Prolongar o sofrimento de um ser humano não passa de uma crueldade. Se o feto não é compatível com a vida, quem o carrega no ventre é que deve optar ou não por prosseguir a gestação, pois gerar um filho por 9 meses sabendo que ele nascerá morto agride fisicamente e psicologicamente a mulher.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

The Backwater Gospel


Backwater é uma pequena cidade no oeste americano. Isolada e pobre, a única coisa que mantém seus habitantes unidos é a igreja. Todos levam como lei o que é dito pelo padre, todos exceto um homem que ainda não se submeteu à igreja. A vida segue normalmente, até que o coveiro chega a cidade, e junto com ele o medo inspirado por uma lenda que diz que sua chegada precede a morte de alguém da região. O personagem macabro chega, senta e espera. O tempo passa e ninguém morre. As pessoas não saem de suas casas, até que o padre encontra uma explicação para a demora: um teste de Deus. “Ele quer vocês destruam a maçã podre”, ou seja, o infiel é a fonte dos problemas.
Criado como conclusão de curso na escola dinamarquesa, Animation Workshop, o curta debate a questão da manipulação religiosa violenta e agressiva. O filme se destaca também por seu aspecto visual com um traço que dá a aparência de madeira para a pele dos personagens.

A Maioria Absoluta


Na história do Brasil nem um movimento cinematográfico alcançou tanto reconhecimento, nacional e internacional, como o Cinema Novo. A principal luta do movimento era o resgate (ou a busca) por uma identidade brasileira no cinema, tanto valorizando a cultura nacional com filmes de cunho documental que retratavam artistas brasileiros como O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade quanto denunciando a pobreza, a desigualdade e o abandono que sofria a maior parte da população – como no filme Maranhão 66, de Glauber Rocha. Apesar de não ser o mais famoso de seu grupo, o cineasta Leon Hirszman realizou com maestria a missão do Cinema Novo.

Hirszman iniciou sua carreira de diretor com um dos curtas que fazem parte do filme Cinco Vezes Favela. Apesar de ser seu primeiro trabalho, o filme já demonstra um estilo próprio, construído com influência das técnicas de montagem de Sergei Eiseinstein, além de já estar imerso em todo o aspecto político-social de sua futura filmografia.

No ano seguinte o cineasta já filmava seu próximo filme, o documentário A Maioria Absoluta. O curta foi pensado inicialmente como um projeto de duas partes, A Maioria Absoluta e A Minoria Absoluta, uma forma de exibir a gritante desigualdade social do país, mas o segundo filme teve sua realização interrompida com o estouro do golpe militar em abril de 1964. Felizmente o primeiro trabalho já estava finalizado. O filme retrata a parcela sem voz na democracia, os camponeses analfabetos que suportam suas precárias condições de vida e os abusos de seus patrões sem ter quem os defenda, sem ter quem os represente.